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Filmes baseados em histórias reais que envolvem esportes e muita emoção

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Os esportes sempre estimularam as emoções das pessoas. Competidores e torcedores choram, sorriem, gritam, xingam e até rezam. É de fato uma mistura de emoções, os apostadores do betzest código de bônus que digam.

Por isso os roteiristas de cinema adoram abordar os esportes nas suas histórias, principalmente quando são fatos reais.

Separamos alguns filmes que abordam histórias reais nos esportes que você não pode deixar de assistir.

Moneyball, O Homem que mudou o jogo (2011)

Billy Beane, interpretado por Brad Pitt, é um ex-jogador de baseball que se tornou o diretor geral do time Oakland Athletics. O problema é que o time está sem dinheiro para montar uma boa equipe para o torneio. Billy terá a grande ideia de se juntar ao economista Peter Brand (Jonah Hill) para tirar o time do abismo, vencer o campeonato de 2002 e agradar a torcida.

Invictus (2009)

O filme se passa em 1995, ano em que a Copa do Mundo de Rugby foi realizada na África da Sul, e o presidente recém-eleito era Nelson Mandela, interpretado por Morgan Freeman.

O presidente tem a intenção de unificar o país logo após o apartheid e mostra como o esporte pode ser um bom aliado para reduzir o preconceito e a desigualdade.

A seleção africana é dirigida pelo técnico François Pienaar, interpretado por Matt Damon, e, unida, luta bastante para vencer. 

Touro Indomável (1980)

O filme mostra dois lados da vida do boxeador Jake LaMotta: o lado profissional e o lado pessoal.

Enquanto o atleta, interpretado por Robert de Niro, decola na categoria peso-médios, chegando a ser conhecido como “Touro do Bronx”, a vida particular do filho de imigrantes italianos está cheia de atritos por causa do seu temperamento.

Duelo de Titãs (2000)

O treinador Herman Boone, negro, interpretado por Denzel Washington, é contratado em 1971 para treinar um time universitário marcado pelo preconceito e intolerância racial.

Constrangido por atletas e até por outros técnicos, ele ensina que o time precisa superar as diferenças para vencer o campeonato. O técnico aos poucos ganha a confiança dos atletas e apresenta um ótimo desempenho profissional, levando o time de futebol americanos Titans à vitória e ganhando o respeito e reconhecimento de todos.

Rush, no limite da emoção (2013)

Dirigido por Ron Howard, o filme tem cenas fantásticas e atrai principalmente os apaixonados por Fórmula 1.

O enredo conta a história de dois rivais do automobilismo, Nikki Lauda (Daniel Bruh) e James Hunt (Chris Hemsworth), na temporada de 1976, mostrando os pontos de vista, as dificuldades e motivações de cada um.

Jamaica Abaixo de Zero (1993)

Este filme é para quem gosta de comédia. A preparação dos atletas jamaicanos e o desfecho final são baseados em fatos reais, mas a forma exagerada como o filme conta é hilário.

Irwin Flitzer, ex-atleta desonrado e atual treinador, interpretado por John Candy, vai treinar a primeira equipe jamaicana de bobsleigh. Os quatro atletas nunca nem tinham visto neve mas queriam disputar as Olimpíadas de Inverno de Calgary, no Canadá.

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10 filmes portugueses que valem a pena assistir mais de uma vez

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Os portugueses já fizeram vários filmes muito bons, alguns tão elogiados que receberam até premiações.

Separamos os dez melhores filmes para vocês se divertirem e desfrutarem um pouquinho das obras portuguesas.

1. O Lugar do Morto -1984

Álvaro, um jornalista, adormece no carro e é acordado com o barulho de um casal brigando. A mulher foge e entra no carro do jornalista, mas ao voltar ao local ela encontra o homem morto.

2. Tentação – 1997

O filme é um drama/romance que conta a história do generoso padre Antônio que vive em Vila Daires. Apesar de pacata, a cidade é cheia de conflitos que o padre sempre tenta ajudar. Um dia se depara com uma jovem mãe-solteira, vinda de Lisboa, e a partir daí ele vai se confrontar com suas próprias incertezas.

3. Crime do Padre Amaro – 2005

Conta a história de um padre que ao sair do seminário vai para Leiria substituir o antigo padre. Tentando conquistar a simpatia de todos, conhece a sedutora jovem Amélia e se vê entre os desejos carnais e religiosos.

4. Alice – 2005 

Alice, uma criança de dois anos, desaparece e o seu pai sofre na sua busca diária e incessante pela cidade, enquanto a mãe entrega-se à apatia.

Cenas em ambientes nublados e claustrofóbicos tornam o sofrimento do personagem palpável.

5. Filme da Treta – 2006

Após uma visão apocalíptica, Zezé resolveu participar da Ordem dos Caracolários Descalços. Um dia seu amigo Toni resolve visitá-lo no mosteiro e dois vão relembrar grandes trapalhadas.

6. Amália – 2008

Amália foi a mais importante cantora de fado de Portugal e o filme retrata sua biografia de forma bem romantizada com uma deliciosa trilha sonora.

7. Tabu – 2012

Aurora, Santa e Pilar residem no mesmo prédio. Sempre envolvidas em ações sociais, aparentam ser ótimas mulheres.

A história de amor, crime e surpresa começa quando Aurora morre e suas vizinhas começam a descobrir sobre seu passado.

8. Pecados Rurais – 2013

Quim Roscas e Zeca Estacionâncio reencontram duas primas de Lisboa e revivem as histórias do passado, até que um imprevisto acontece e eles vão parar no céu tentando fazer um acordo com Deus.

9. O Pátio das Cantigas – 2015

O filme se passa em um bairro típico de Lisboa durante as festas dos santos populares e conta a história de dois engraçados personagens que disputam o amor de  Rosa. Tanto Evaristo, o lojista, quanto Narciso, o condutor de tuk-tuk, vão mostrar seus dramas pessoais de forma irreverente.

10. Cartas da Guerra – 2016

Recrutado para servir como médico na guerra colonial, Antonio Lobo Antunes foi para Angola mas escrevia frequentemente à amada relatando suas angústias.

Com o passar do tempo, Antonio se encantou pela África a ponto de se envolver em posições políticas.

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Vantagens trazidas pelos filmes muito além do entretenimento

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O primeiro filme foi transmitido em 28 de dezembro de 1895 no Salão Grand Café, em Paris. Desde então os filmes e o cinema atraem todos os públicos e estimulam a imaginação de crianças e adultos. O cinema evoluiu muito desde a época do preto e branco até os filmes em telas bem grandes coloridas que podem mostrar a beleza de lindas paisagens ou cassinos glamourosos bem iluminados que utilizam Código Promocional Luckia.

Quem nunca sonhou em ir a primeira vez a um cinema? Quem nunca se viu em uma personagem de filme? Quem nunca riu ou chorou com um bom ator?Não importa idade, sexo ou personalidade, sempre terá um filme que irá atrair e que, acompanhado de um boa pipoca, proporcionará muitas emoções.

Os filmes têm papéis muito importantes na sociedade que vão de uma simples distração até formação de opiniões. Alguns destes papéis são:

Entretenimento

Os diferentes filmes trazem tantas histórias legais, engraçadas ou trágicas, que podem ser utilizados para divertir e distrair o telespectador. Momentos de distração diminuem a ansiedade e aliviam o stress, contribuindo na melhora do humor e na redução de quadros depressivos. 

Saúde Física e Mental

Os filmes que agradam ao telespectador proporcionam uma sensação prazerosa tão grande que são capazes de reduzir o nível do hormônio cortisol, ou seja, diminui risco de doenças cardiovasculares, aumento de peso e Alzheimer.

Conhecimento Histórico 

Muitos são os filmes que tratam da época medieval, tempos de guerras, de conquistas territoriais e heróicas, entre outros acontecimentos históricos. O telespectador que muitas vezes nunca tinha sequer lido sobre o fato, agrega conhecimento e cultura histórica de muitos países.

Conhecimento de Culturas Regionais

Cada cantinho do mundo tem rotinas e costumes diferentes no dia a dia. Filmes que retratam o enredo em determinado região permitem a divulgação daquela cultura, dos costumes e até das comidas locais. Muitas vezes os telespectadores nunca terão oportunidade de visitar o local mas ao assistir o filme já tiveram a oportunidade de ampliar seus conhecimentos e diversidades. 

Formação de opinião

Como os personagens pensam, se comportam, o que acham bonito ou feio, tudo isso influencia na opinião e na forma de agir dos telespectadores. Mesmo sem perceber acabamos por replicar comportamentos que vemos e admiramos em alguns personagens. Os filmes muitas vezes faz com que a pessoa se reconheça em determinadas situações e assim provoca reflexões sobre atitudes e comportamentos. 

Propaganda

Os filmes são grandes aliados de marcas que querem publicidade. O nome da marca é inserida no contexto da enredo e de forma imperceptível é assimilado pelo nosso cérebro de forma que muito possivelmente vamos querer utilizá-la em breve. Grandes grifes investem alto para seus nomes aparecerem na telona.

Comunicação 

Os estímulos audiovisuais facilitam o aprendizado, ampliam a diversidade de palavras e  estimulam a comunicação. Filmes legendados ainda ampliam o vocabulário estrangeiro.

Infelizmente nem todas as cidades têm um cinema e muitas pessoas nunca tiveram a oportunidade de conhecer um ou nem mesmo de assistir a um filme em casa. Por isso é tão importante a divulgação de benefícios que os filmes proporcionam e a sua importância na sociedade.

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Ocean’s (série de filmes)

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Os filmes Ocean’s são uma série dos filmes sobre assaltos que teve muito sucesso entre espectadores do mundo inteiro. Os filmes da trilogia são Ocean’s 11, Ocean’s 12 e Ocean’s 13 e o novo filme como spin-off Ocean’s 8. Os filmes da trilogia foram produzidos pelo diretor Steven Soderbergh e o último, o spin-off foi produzido pelo Gary Ross.

Ocean’s 11
Ocean’s 11 é o primeiro filme e o filme da série que ganhou maior dinheiro – 450 milhões de dólares. Foi produzido em 2001 como uma refilmagem do filme com o mesmo nome Ocean’s 11 do ano 1960. Os atores principais são Brad Pitt, George Clooney, Matt Damon, Andy García, Julia Roberts e Don Cheadle.
George Clooney é Daniel Ocean que no princípio do filme sai da prisão e vai para Las Vegas com o seu antigo parceiro Rusty Ryan (Brad Pitt). Eles têm plano de roubar 3 maiores cassinos de Las Vegas cujo dono é Terry Benedict (Andy García). Com outros assaltantes ele forma grupo de 11 para o assalto.

Ocean’s 12
Produzido em 2004 como a sequência de Ocean’s 11. O Benedict vai atrás do dinheiro roubado dele e atrás do grupo 11 e oferece um contrato para o Danny. Se o grupo devolve 160 milhões roubados em duas semanas, o Benedict não vai mandar matar eles. Como o grupo já gastou o dinheiro, eles fazem plano de um novo assalto para obter o dinheiro necessário. Os atores são os mesmos do primeiro filme acrescentados com mais 2 famosos Catherine Zeta-Jones e Vincent Cassel.

Ocean’s 13
Ocean’s 13 chegou nas cinemas no ano 2007. O novo protagonista nesta parte da trilogia é Al Pacino. Ele interpreta Willy Bank o qual engana ao seu parceiro Reuben Tishkoff durante negócio da construção de um hotel. Por causa de estresse o Reuben teve um infarto e vai para hospital. O Danny Ocean quer vingar ao Bank. O plano esta vez é assaltar o novo casino cujo dono é o Bank e acabar com a reputação dele.

 

Ocean’s 8
Onze anos depois de último filme Ocean’s 11, a nova sequência de trilogia Ocean’s – Ocean’s 8 está nas cinemas. É um spin-off com personagens femininos. Trata-se de grupo das mulheres guiadas pela Debbie Ocean, a irmã do Danny Ocean. O grupo quer assaltar e roubar Met Gala.
A Debbie Ocean sai da prisão. Ela procura a sua ex-parceira Lou porque quer fazer um assalto que planejou quando estava na prisão. Para fazer isso elas precisam da ajuda e então recrutam mais 6 mulheres e fazem grupo de 8. O plano é roubar um colar de Cartier que tem valor de 150 milhões de dólares.
Como em cada um destes filmes, a escolha das atrizes é atraente Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling, Sarah Paulson, Rihanna e Helena Bonham Carter.

O filme chegou nas cinemas no 8 de junho. Podemos esperar que o novo filme tenha o mesmo sucesso como os outros.

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O Condes Morreu, Vivam os Reis

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Lisboa é uma boa cidade para se ir ao cinema. Não falo por falta de conhecimento de outras cidades, ou por simples apetência pelo centralismo da capital. A verdade, essa, é que Lisboa não é só a melhor cidade portuguesa neste campo, como é uma das melhores em termos europeus, o que a faz uma das melhores em termos mundiais.    É verdade que hoje o Paris é uma curiosidade e o Condes um restaurante de comida rápida. E então? O Tempo não é estático é os imobiliários não são nada sem pessoas. E essas, há muito que já não iam ao Condes. Há que aprender com a História e defender as salas que ainda existem. É graças a elas e a nós espectadores, que, repito, Lisboa é uma das melhores cidades mundiais para se ver cinema.

Existem cerca de 160 salas na Grande Lisboa. Destas, cerca de 140 estão agregadas a Centros Comerciais. Funcionam um pouco como os espectáculos para os casinos. Estes conduzem ao jogo, como a ida ao cinema conduz ao consumo. E então? As pessoas são soberanas na sua decisão, e se no último ano novas salas despontaram como cogumelos, de que o Cascais Vila e as Twin Towers são apenas dois bons exemplos, é porque há espectadores/clientes que as justificam. Se as pessoas querem fitas americanas a 5 euros, a escolha é delas. Importa registar que há a oferta, e que tem adesão. Se todos optassem por filmes de um anónimo paquistanês, dificilmente haveria tanto público.

A PT, via Lusomundo, domina o circuito, logo seguida pelo Paulo Branco, que se mantém na corrida com salas como o Saldanha. É ele quem tambem, subsidiado, mantém salas como o Ávila. Sirva o erário público para alguma coisa. Em salas como esta reside o quinhão que completa a oferta, com requinte, e que mostra que nem uma posição dominante como a da PT impede a concorrência. O Ávila, o Nimas, o S. Jorge, fornecem boas salas com um circuito alternativo complementar.

Preços mais baratos, filmes menos óbvios. Com público. Outro, talvez, menor, sem dúvida. Mas a oferta existe e as pessoas correspondem. Temos depois as salas com ciclos. O Cine 222, e o Loreto, que deixou a pornografia para enriquecer a oferta da capital. A cereja do bolo é a Cinemateca, com as suas três salas e edifício remodelado. Por aqui passam das fitas mais emblemáticas do Século XX. Menos concorrido mas indispensá veis para o conjunto e permissa desta crónica são os institutos estrangeiros, como o Cervantes, Goethe ou o Franco-Português. Ou a Videoteca, em Alcântara, que ajuda a promover não novas tendências mas sim novos talentos. De vez em quando, alguém se lembra de promover umas exibições ao ar livre, paraíso dos fumadores e dos aderentes às novidades, porque um ‘drive-in’ ou ‘seat-in’ é sempre diferente, mesmo se o filme é a «Música no Coração».

Até o facto do Olimpia passar filmes pornográficos com títulos que promovem um sorriso rasgado a quem esteja atento são um sinal positivo. Um sinal de que a oferta é alargada e que o público tem possibilidades de sair satisfeito.

As pessoas têm aderido ao cinema, às salas, aos filmes. A oferta é vasta e, mais importante, variada. Basta procurar, estar atento. Quem se queixar de que não há bons filmes em Portugal não vê que Lisboa é hoje uma cidade muito mais rica do que há 20 anos atrás em termos de oferta cinematográfica. Mesmo se antes havia o Condes. Porque se ele morreu, alguém o deixou morrer, e o velório não foi muito concorrido. Por isso, é importante reter a riqueza actual que Lisboa oferece neste campo. E fazer com que o problema de ver um bom filme seja apenas uma questão de escolha.

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O Som do Silêncio

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Como melhorou a qualidade do som nos filmes portugueses! Lembro-me de que, ainda há não muito tempo, as fitas nacionais quase precisavam de vir legendadas. Ou então, que os espectadores fizessem cursos-relâmpago de leitura de lábios. Felizmente, hoje já não é assim. Agora só faltam os diálogos que valha a pena ouvir.

Claro, estou a brincar. Mas desde o início o som foi uma fonte de controvérsias na jovem arte cinematográfica. O cinema tornou-se sonoro, e depois falado, um pouco por acaso, porque a Warner se encontrava à beira da falência e tentou, como última cartada, uma experiência diante da qual as concorrentes recuavam, receando um desastre comercial. Bem, parafraseando o impagável produtor Samuel Goldwyn, ninguém gostou daquilo – excepto o público.

Sim, as platéias aderiram com entusiasmo à novidade, mas os cineastas e os críticos torceram os narizes. Pudovkin, Eisenstein e Alexandrov publicaram um manifesto contra o som, alertando para o perigo do «teatro filmado». René Clair também fez uma birra. Mas o mais amuado foi mesmo Chaplin: «Os filmes falados? Odeio-os! Vieram estragar a arte mais antiga do mundo, a arte da pantomima. Destroem a beleza do silêncio». OK, ele lá tinha as suas razões para achar que mais valia estar calado. É como observou mais tarde o mordaz Billy Wilder: «Quando Chaplin ganhou uma voz para dizer o que se passava na sua cabeça, foi como se uma criança pusesse uma letra na Nona Sinfonia de Beethoven».

Tratava-se, claro, de um lamentável equívoco: os mestres do mudo tomavam por trunfo o que não passava de uma lacuna. Às vezes, é verdade, a falta de som estimulava a criatividade de uma maneira cómica: no clássico «Napoleão», de Abel Gance, durante um ataque ao forte de Toulon pelas tropas franceses, todos os soldados que tocam tambores são instantaneamente mortos.
Logo se verificou que o sonoro exprimia melhor até o próprio silêncio. No sonoro, o silêncio adquiriu um valor positivo, de que estava privado na uniformidade taciturna do mudo. Assim, depois de, por exemplo, uma música retumbante, o súbito silêncio assume uma intensidade conceptual. Só o sonoro pode, por contraste, representar o silêncio sepulcral. Para não falar no minuto de silêncio (que, no mudo, eram todos).

É certo que estamos a falar de um realismo dúbio, isto é, na maior parte das vezes «pós-sincronizados», ou seja, registados em estúdio depois das imagens. Isso porque, devido aos caprichos da técnica e da física, uma parede, um vidro ou uma escada gravadas ao ar livre não produzem um som «autêntico». Por outro lado, há certos ruídos que já foram registados de uma vez para sempre: pode comprar-se, nas lojas da especialidade, um canto de galo, um bramido de ondas ou um coaxar de rãs. Só não se pode comprar é bons diálogos.

E há, naturalmente, a música. No cinema, a música pode assumir dois papéis: de ambiência ou contraponto (ou paráfrase). A primeira é, digamos, decorativa (não quer dizer que seja supérflua). A segunda pode tornar-se dramática. Se for de certos compositores que a gente sabe, tornar-se-á seguramente melodramática. Como disse o outro, a música japonesa é uma tortura chinesa.
Sem som e sem música, não haveria os musicais. E, sem os musicais (que, por ironia da história, brilharam na Metro e não na Warner), não haveria Fred Astaire. Bom, por causa de um bisonho executivo de Hollywood, que avaliou o primeiro teste do futuro maior bailarino da Sétima Arte, quase que não houve de facto Fred Astaire. Eis o veredicto da sumidade, quando Astaire acabou o seu número: «Não sabe representar. Ligeiramente careca. Dança um bocadinho».

Hoje, ninguém com cinco gramas de miolos duvida de que o cinema seja a imagem unida à palavra, ao ruído e à música. OK, cada macaco no seu galho. Frank Sinatra, por exemplo, embora tenha embolsado um Oscar de melhor actor secundário, continua a pertencer mais à música do que ao cinema. Ou, como alguém resmungou: «Tirem o microfone e a orquestra a Sinatra e o que é que lhe restaria? Trabalhar numa pizzaria!».

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O Som e a Fúria

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Há poucos dias, eis que dei por mim na entrada de um descomunal centro comercial de bilhete na mão, lado a lado com uma entusiasmada criança de 10 anos, pré-adolescente quase, ambos prestes a embarcar na electrizante experiência de «Tomb Raider 2».

Estávamos mais do que preparados para suspender a descrença durante duas horas e pular a pés juntos para dentro do universo dos jogos de consola tornados película e admirarmos os contorcionismos e os seios digitalmente aumentados de Angelina Jolie. Mas havia uma coisa para a qual nada nos preparara. E essa coisa foi o som, a fúria, os dementes décibeis que atordoaram os nossos ouvidos com a tonitruante pujança dos canhões da guerra de 14-18 ou, mais contemporâneos, os mísseis Tomahawk das guerras do Golfo.

Era demais. A criança, apesar de tudo habituada ao cacofónico estrilhar de guitarras trash-metal, tapou os ouvidos durante dois terços do filme e, mesmo assim, saiu de lá seriamente candidata a uma consulta de otorrino. Eu, por outro lado, sentia estarrecido o aumento da minha pulsação e o corpo a vibrar como uma personagem do «ER» com o George Clooney. Por momentos, apeteceu-me mesmo procurar a campainha e chamar a enfermeira, antes que fosse tarde demais e a alma se separasse do corpo num esforço derradeiro de sobrevivência.

Cá fora, apreciando o silêncio das centenas de criancinhas debicando Happy Meals e fatias de pizza, pensei no que acontecera. O que levara as salas de cinema a superarem o nível sonoro de um concerto dos Sepultura? Por que obscura e satânica razão tinham os responsáveis das salas optado por reduzir os espectadores a cobaias de experiências acústicas limite? Pretenderiam eles que os filmes fossem ouvidos do espaço e atraissem assim novos públicos desde o segundo anel de Saturno?

A resposta surgiu-me mais tarde, após duas semanas de recuperação nas termas do Buçaco, com a clareza de uma epifania: Afinal, as clamorosos ondas de choque sonoras eram a resposta natural ao chinfrim do próprio público. Às conveue não padeçam de surdez crónica.

Todos nós já tentámos certamente fazer calar algum destes exemplares com este tipo de comportamento e desistimos. Quando conseguimos, foi com certeza numa das raras vezes em que o dito cujo (são normalmente homens, vá-se lá saber porquê) estava sózinho e era mais franzino do que nós. Em geral, este tipo de gente anda em manadas e tem a compleição de um condutor de máquinas pesadas. E, entre o ruído boçal e o silêncio eterno da campa, é natural que optemos pelo primeiro.

Mas, pese embora compreender agora a estratégia dos exibidores, continuo a achar que há limites. Devem existir outras formas de educação da plateia para além de destruir-lhes os tímpanos. Quando se leva uma criança de dez anos a desejar abandonar a sala, com medo que o texto lhe caia em cima da cabeça como os conhecidos gauleses, algo está errado. Aqui fica, pois, o apelo. Ou, pelo menos, o aviso. Para a próxima vez que derem por vós com vontade de apreciar um qualquer blockbuster, levem tampões de ouvidos.