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(Fotograma) Documentários de Manuel Maria da Costa Veiga (Col. Cinemateca Portuguesa)
31-10-2003
O Cinema Mudo Português
Os Pioneiros e as Produtoras
 
Quando Edwin Rousby chega a Lisboa para apresentar o seu programa no Real Colyseu da Rua da Palma em Lisboa, conhece Manuel Maria da Costa Veiga, fotógrafo versado em electricidade e mecânica, que o ajuda a preparar a sessão. Entusiasmado, Costa Veiga inicia a sua actividade como exibidor, adquirindo um projectoscópio de Edison nesse mesmo ano e exibindo filmes em salas Lisboetas.
(Fotograma) Documentários de Manuel Maria da Costa Veiga (Col. Cinemateca Portuguesa)  
 
 

Três anos depois adquire uma máquina de filmar e regista o seu primeiro filme, "Aspectos da Praia de Cascais", com imagens do rei D. Carlos a banhos em Cascais. Costa Veiga passa a registar visitas oficiais e outros importantes acontecimentos políticos do país. Funda a primeira produtora portuguesa, a Portugal Film, com sede em Algés, perto da sua residência.

Em 1909 surgem, em Lisboa, a Portugália Film, de João Freire Correia e Manuel Cardoso, com financiamento de D. Nuno de Almada e a Empresa Cinematográfica Ideal de Júlio Costa.

João Freire Correia, fotógrafo, inicia a sua actividade ao comprar um projector para a inauguração do Salão Ideal ao Loreto em 1904, a primeira sala de cinema portuguesa. Funda a produtora cinco anos depois, para a qual roda vários filmes, como a "Batalha de Flores" que alcançou grande êxito. Foi operador de "O Rapto de Uma Actriz", primeiro filme de entrecho português, realizado por Lino Ferreira em 1907.

Mas Freire Correia realizou dois documentários de sucesso assinalável em 1909: "A Cavalaria Portuguesa" e "O Terramoto de Benavente". O primeiro mostrava já uma certa técnica de captação de imagem, exibindo as proezas da cavalaria portuguesa mas de maneira a causar sensações de perigo, fictício, ao público. O terramoto foi filmado em Abril, tendo sido exibido dois dias depois - uma rapidez notável - e tendo sido exportadas 22 cópias para o estrangeiro.

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"Os Crimes de Diogo Alves", de João Tavares
(Col. Cinemateca Portuguesa)

João Freire Correia seria ainda responsável pela produção das duas versões de "Os Crimes de Diogo Alves ", realização que confiou primeiro a Lino Ferreira em 1909 mas que ficou inacabada, tendo sido João Tavares a realizar a segunda versão em 1911.

De salientar ainda a tentativa precoce do cinema sonoro com o incompleto " Grisette" (1908), utilizando o método Gaumont mas com as adaptações do Freire Correia, que tentou sincronizar imagem e som. A Portugália produziu ainda o primeiro filme surgido de uma adaptação de uma obra literária. "Carlota Ângela" baseou-se na obra homónima de Camilo Castelo Branco e teve realização de João Tavares, em 1912.

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"Grisette", de Manuel Cardoso
(Cole. Cinemateca Portuguesa)

Júlio Costa, de sociedade com João Almeida, adquire o Salão Ideal a Freire Correia e D. Nuno Almada em 1908 e funda a Empresa Cinematográfica Ideal, produtora e distribuidora. Remodelado e convenientemente apetrechado, o Salão Ideal exibe um precursor do cinema falado, o "Animatógrafo Falado": um grupo de pessoas lê os textos e produz sons em sincronia com a exibição do filme. Esse grupo era composto pelos bombeiros voluntários da Ajuda, dos quais faziam parte Júlio Costa mas também António Silva, o inesquecível actor das comédias à portuguesa do cinema falado.

Enquanto espera a construção do seu estúdio na Rua Marquês Ponte de Lima, Júlio Costa inicia a sua actividade a filmar "vistas". Inicia a rodagem de filmes de fundo com "Chantecler Atraiçoado" e depois com " Rainha depois de Morta", de Carlos Santos, o primeiro filme português de cariz histórico. A empresa de Júlio Costa foi também pioneira por ter agrupado pela primeira vez produção, distribuição e exibição. A empresa viria a fechar portas depois de um estranho incêndio.

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"Rainha Depois de Morta", de Carlos Santos
(Col. Cinemateca Portuguesa)

Surge em 1918, a Lusitânia Film , uma companhia de produção com um projecto ambicioso, liderada por Celestino Soares e Luís Reis Santos. Faz obras no antigo estúdio da Portugália Film, em São Bento e dá início à sua actividade com a filmagem de documentários.

Ainda em 1918, produzem-se duas curtas-metragens maniveladas no exterior por Costa Veiga e realizadas pelo jovem Leitão de Barros: " Malmequer" e "Mal de Espanha". Iniciaram-se as filmagens de " O Homem dos Olhos Tortos", baseado no folhetim policial de Reinaldo Ferreira, com realização de Leitão de Barros. Mas, devido a dificuldades financeiras, ficaria inacabado. Um complot bem organizado viria a cessar a actividade da empresa que planeava filmar "A Severa", como produção seguinte.

Fechado o "ciclo de Lisboa", é criada no Porto a primeira produtora que asseguraria durante alguns anos uma produção contínua de cinema em Portugal.

Bibliografia e Fontes

Félix Ribeiro, O Cinema Português antes do Sonoro, Esboço Histórico, Ensaios de Cinema nº1, ed. Círculo Universitário de Cinema de Luanda, Luanda, 1968.

Faria de Almeida, M., Resumo da História do Cinema, RTP Centro de Formação, Lisboa, 1982

Ferreira, António J., O Cinema Chegou a Portugal, - Palestra Baseada no Livro A Fotografia Animada em Portugal 1894-1895-1896-1897 - 1896.

Ferreira, António J., A Fotografia Animada em Portugal, 1894-1896-1897, ed. Cinemateca Portuguesa, Lisboa, 1986.

Nobre, Roberto, Singularidades do Cinema Português, Portugália Editora, Lisboa.

Pina, Luís de, História do Cinema Português, Colecção Saber nº190, Publicações Europa-América, Lisboa, 1986.

Pina, Luís de, Aventura do Cinema Português, ed. Vega, Lisboa, 1977

Pina, Luís de, Documentarismo Português, Instituto Português de Cinema, 1977.

Pina, Luís de, Panorama do Cinema Português, Terra Livre, Lisboa, 1978.

Ribeiro, Félix, Panorama do Cinema Português, Lisboa.

Bandeira, José Gomes, Porto: 100 anos de cinema português, Câmara Municipal do Porto, Porto, 1996.

Antunes, João e Matos-Cruz, José de, Cinema Português 1896-1998, Lusomundo, Lisboa, 1997.

Duarte, Fernando, Primitivos do Cinema Português, ed. Cinecultura, Lisboa, 1960.

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