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Três anos depois adquire uma máquina de filmar e regista o seu primeiro
filme, "Aspectos da Praia de Cascais", com imagens do rei D. Carlos a banhos
em Cascais. Costa Veiga
passa a registar visitas oficiais e outros importantes acontecimentos
políticos do país. Funda a primeira produtora portuguesa, a
Portugal Film, com sede em Algés, perto da sua residência.
Em 1909 surgem, em Lisboa, a
Portugália Film, de
João Freire Correia e Manuel Cardoso, com financiamento de D. Nuno
de Almada e a Empresa
Cinematográfica Ideal de Júlio Costa.
João Freire Correia, fotógrafo, inicia a sua actividade ao comprar um
projector para a inauguração do Salão Ideal ao Loreto em 1904, a primeira
sala de cinema portuguesa. Funda a produtora cinco anos depois, para a qual
roda vários filmes, como a "Batalha de Flores" que alcançou grande êxito.
Foi operador de "O Rapto de
Uma Actriz", primeiro filme de entrecho português, realizado por
Lino Ferreira em 1907.
Mas Freire Correia realizou dois documentários de sucesso assinalável em
1909: "A Cavalaria Portuguesa" e "O Terramoto de Benavente". O primeiro
mostrava já uma certa técnica de captação de imagem, exibindo as proezas da
cavalaria portuguesa mas de maneira a causar sensações de perigo, fictício,
ao público. O terramoto foi filmado em Abril, tendo sido exibido dois dias
depois - uma rapidez notável - e tendo sido exportadas 22 cópias para o
estrangeiro.
"Os Crimes de Diogo Alves", de João Tavares (Col. Cinemateca Portuguesa)
João Freire Correia seria ainda responsável pela produção das duas versões
de "Os Crimes de Diogo Alves
", realização que confiou primeiro a Lino Ferreira em 1909 mas que ficou
inacabada, tendo sido João
Tavares a realizar a segunda versão em 1911.
De salientar ainda a tentativa precoce do cinema sonoro com o incompleto "
Grisette" (1908), utilizando o método Gaumont mas com as adaptações do
Freire Correia, que tentou sincronizar imagem e som. A Portugália produziu
ainda o primeiro filme surgido de uma adaptação de uma obra literária.
"Carlota Ângela" baseou-se na obra homónima de Camilo Castelo Branco e teve
realização de João Tavares, em 1912.
"Grisette", de Manuel Cardoso (Cole. Cinemateca Portuguesa)
Júlio Costa, de sociedade com João Almeida, adquire o Salão Ideal a Freire
Correia e D. Nuno Almada em 1908 e funda a Empresa Cinematográfica Ideal,
produtora e distribuidora. Remodelado e convenientemente apetrechado, o
Salão Ideal exibe um precursor do cinema falado, o "Animatógrafo Falado": um
grupo de pessoas lê os textos e produz sons em sincronia com a exibição do
filme. Esse grupo era composto pelos bombeiros voluntários da Ajuda, dos
quais faziam parte Júlio Costa mas também
António Silva, o inesquecível actor das comédias à portuguesa do
cinema falado.
Enquanto espera a construção do seu estúdio na Rua Marquês Ponte de Lima,
Júlio Costa inicia a sua actividade a filmar "vistas". Inicia a rodagem de
filmes de fundo com "Chantecler Atraiçoado" e depois com "
Rainha depois de Morta", de Carlos Santos, o primeiro filme português de
cariz histórico. A empresa de Júlio Costa foi também pioneira por ter
agrupado pela primeira vez produção, distribuição e exibição. A empresa
viria a fechar portas depois de um estranho incêndio.
"Rainha Depois de Morta", de Carlos Santos (Col. Cinemateca Portuguesa)
Surge em 1918, a Lusitânia Film
, uma companhia de produção com um projecto ambicioso, liderada por Celestino
Soares e Luís Reis Santos. Faz obras no antigo estúdio da Portugália Film,
em São Bento e dá início à sua actividade com a filmagem de documentários.
Ainda em 1918, produzem-se duas curtas-metragens maniveladas no exterior por
Costa Veiga e realizadas pelo jovem
Leitão de Barros: "
Malmequer" e "Mal
de Espanha". Iniciaram-se as filmagens de "
O Homem dos Olhos Tortos", baseado no folhetim policial de
Reinaldo Ferreira, com realização de Leitão de Barros. Mas, devido a
dificuldades financeiras, ficaria inacabado. Um complot bem organizado viria
a cessar a actividade da empresa que planeava filmar "A Severa", como
produção seguinte.
Fechado o "ciclo de Lisboa", é criada no Porto a primeira produtora que
asseguraria durante alguns anos uma produção contínua de cinema em Portugal.
Bibliografia e Fontes
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de Cinema nº1, ed. Círculo Universitário de Cinema de Luanda, Luanda, 1968.
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Lisboa, 1982
Ferreira, António J., O Cinema Chegou a Portugal, - Palestra Baseada no
Livro A Fotografia Animada em Portugal 1894-1895-1896-1897 - 1896.
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Cinemateca Portuguesa, Lisboa, 1986.
Nobre, Roberto, Singularidades do Cinema Português, Portugália Editora,
Lisboa.
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Publicações Europa-América, Lisboa, 1986.
Pina, Luís de, Aventura do Cinema Português, ed. Vega, Lisboa, 1977
Pina, Luís de, Documentarismo Português, Instituto Português de Cinema, 1977.
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Ribeiro, Félix, Panorama do Cinema Português, Lisboa.
Bandeira, José Gomes, Porto: 100 anos de cinema português, Câmara Municipal
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Antunes, João e Matos-Cruz, José de, Cinema Português 1896-1998, Lusomundo,
Lisboa, 1997.
Duarte, Fernando, Primitivos do Cinema Português, ed. Cinecultura, Lisboa,
1960.
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