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O Estúdio Filmógrafo, o primeiro a surgir na cidade do Porto, e um dos
marcos da nova geração de realizadores de filmes de animação, foi fundado
por Abi Feijó em 1987,
ano em que lançava o seu segundo trabalho, "
A Noite Saiu à Rua".
Desde essa data até ao seu encerramento, em 2002, foram aí criadas quase
meia centena de animações, algumas de enorme qualidade. Muitas foram
realizadas pelo próprio Abi Feijó, um dos nomes mais destacados na animação
em Portugal.
É o caso de "Os
Salteadores", "Fado
Lusitano" e "
Clandestino". Outros autores viram aqui a oportunidade de lançaram as
suas obras, como "Estória do
Gato e da Lua", de Pedro Serrazina, "
O Ovo", de José Miguel Ribeiro e Pierre Bouchon, e "
A noite", de Regina Pessoa.
Os seus ateliers de cinema de animação, que se realizaram desde 1988,
introduziram largas dezenas de pessoas nesta arte, para além da realização
de estágios. Pedro Serrazina escreve no livro de António Gaio que "se hoje o
cinema de animação português tem a qualidade que tem, muito deve ao trabalho
ali realizado e inquestionavelmente ao esforço do Abi, alguém que esteve na
sua origem e acreditou sempre que viver da animação podia ser mais do que um
simples sonho".
Nascido em Braga em 1956, Abi Feijó era a cara do estúdio, e é ele que
explica o porquê do seu encerramento. Ao jornal do Cinanima de 2002, aponta
as diversas razões que determinaram este fim de um ciclo.
O primeiro aspecto focado foi o facto dos filmes produzidos implicarem um
longo período de tempo "o que faz com que as obras saiam mais caras, fruto
de uma incapacidade nossa de gerir esse projecto. Falta-nos o traquejo de um
ritmo de trabalho industrializado, temos um ritmo artesanal".
Depois, há o facto acrescido de uma má gestão dos financiamentos: "Num curto
espaço de tempo chegou ao Filmógrafo uma grande quantidade de projectos, o
que foi importante para, momentaneamente, respirarmos de alívio. Porém, esse
crescimento não foi convenientemente acompanhado a nível de promoção da casa
e, por coincidência ou não, todos esses projectos tiveram problemas.
O orçamento de um filme não é suficiente e vai-se cobrindo isso com
orçamentos de outros filmes. Depois, só ao fim de cinco ou seis projectos é
que se vê que já não dá para funcionar dessa maneira". Por fim, a dedicação
proporcionada à recém fundada Casa da Animação, no Porto, desviou as
atenções do Filmógrafo. "Essa disponibilidade para um novo projecto surgiu
numa altura em que precisávamos de dar mais atenção ao Filmógrafo, o que fez
com que a gestão deste estúdio fosse muito descurada", afirma.
O fim do Filmógrafo marca assim o fim de uma etapa que, apesar de ter tido
um triste fim, deve um papel de relevo na sua área de intervenção. Os
projectos que tinha em carteira foram passados para outras produtoras,
enquanto que Abi Feijó pretende continuar nos caminhos da produção, através
de um projecto mais pequeno, para além de se dedicar à Casa da Animação.
Esta arrancou no final de 2002.
Fontes:
GAIO, António. "História do cinema português de animação - contributos",
Edição Porto 2001, Porto, 2001. Jornal do Cinanima Nº1, Outubro
de 2002.
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