Da junção das palavras "Cinema" e "Anima" nasceu em 1977 na cidade de
Espinho o festival internacional de animação "Cinanima". Hoje é uma
referência internacional, mas nem só de palavras se fazem os festivais, e o
seu arranque foi uma missão difícil.
Tudo começara um ano antes, quando a Cooperativa Nascente, formada por
pessoas como Álvaro Cordeiro e Eduardo Oliveira, decidem organizar um
festival de animação e um encontro de banda desenhada. O resultado foi
positivo, com a realização de ateliers de animação e exibição de diversos
filmes internacionais, o que levou a pensar no passo em frente. A ideia
estava formada: "Vamos fazer um festival internacional, vamos explorar o
filão do cinema animado, vamos para Annecy estabelecer contactos e vamos a
Lisboa pedir dinheiro". E foram, de facto.
Em Annecy contactaram com alguns dos maiores autores mundiais, em Lisboa
conseguiram, com a ajuda de Alves Costa, e apesar das dificuldades iniciais,
o apoio de Bénard da Costa, que era responsável pela área de cinema da
Gulbenkian. Este disponibilizou cinquenta contos e emprestou, de forma
continuada, uma máquina de projectar da Checolováquia.
Para convencer os membros da ASFIC, associação mundial do sector, que estava
relutante em apoiar o festival, optaram por convidar a mulher do presidente,
que também era autora, Joy Batchelor, para integrar o júri.
Assim, em Novembro de 1977, surgiu a primeira edição do Cinanima, com alguns
dos participantes a pagarem as viagens do seu próprio bolso e episódios
caricatos como a exibição de um filme sobre gaivotas. Gaivotas reais, não
animadas, de uma filme búlgaro, que passou por engano, já que não havia uma
verdadeira selecção prévia, para além do conhecimento geral de cada um. O
visionamento foi efectuado no antigo Cine-Teatro D. Pedro, alugado de
propósito para o festival, que durante muitos anos andou com a casa às
costas, sem poiso fixo.
Em 1981, o festival, que ia na sua quinta edição, esteve para não se
realizar. Um diferendo entre a comissão organizadora e a Cooperativa levou à
demissão dos primeiros, surgindo então António Gaio, que assegurou a
continuidade do Cinanima.
Até hoje, já se realizaram 26 festivais de animação em Espinho, por onde
passaram das maiores figuras e melhores obras mundiais, sendo uma referência
para a exibição de trabalhos de autores portugueses. Para além dos
visionamentos, aos quais não tem faltado público, os debates e encontros
mais ou menos informais ajudam a perceber melhor a riqueza e especificidade
desta arte cinematográfica. O facto do Cinanima ter desde 2000 um espaço
fixo com condições condignas, o Centro Multimeios, também lhe veio dar uma
outra segurança e apresentação.
Fontes:
COSTA, Luís e AUGUSTO, Mário. "Memórias de prata - Cinanima 25 anos", Edição
Ideias e Conteúdos, 2001.
GAIO, António. "História do cinema português de animação - contributos",
Edição Porto 2001, Porto, 2001.
Portugueses premiados no Cinanima
Prémio Jovem Cineasta Português
1991 "História de Amor", Alice Geirinhas
1992 "O Alegre Rio Douro", Colectivo Infantil, Projecto Zona Histórica da
Sé do Porto.
1993 "O Parto", Colectivo Infantil, Anilupa.
1994 "O furacão Gulliver", Colectivo Infantil, Anilupa.
1995 "Estória do Gato e da Lua", Pedro Serrazina.
1996 "O Cravo da Liberdade", colectivo infantil da Escola das Caldas
Taipas (Guimarães). Menção Honrosa: "Poluição",
colectivo infantil, Anilupa.
1997 "Transformações", André Marques.
1998 "Lado B", alunos do curso de animação CITEN/Calouste Gulbenkian.
Menção Honrosa: "A Casa do João", Daniela Duarte Rui.
1999 "A Noite", Regina Pessoa.
2000 "O Inverno", colectivo do atelier do CITEN/Gulbenkian;
"De Cabeça Perdida", Isabel Aboim Inglez.
2002 "Concretus", Tiago Gomez Rodrigues; "O Burro que queria
voar", Colectivo de uma escola de Beja; "As Canções de Miragaia",
Colectivo Infantil, Anilupa.
Prémio da Cidade de Espinho
1993 "Os Salteadores", de Abi Feijó.
Prémio Categoria e Publicidade
1995 "Água Castelo 2", Carlos Cruz.
Prémio Categoria F (Didáctico e Formação)
1995 "Banquete da Rainha", José Miguel Ribeiro.
Prémio Categoria G (Primeiro Filme)
1995 "Estória do Gato e da Lua", Pedro Serrazina
Prémio Categoria Genéricos
1998 "Jardim da Celeste", José Miguel Ribeiro.
Prémio Alves Costa
1995 "Fado Lusitano", Abi Feijó.
1999 "A Suspeita", José Miguel Ribeiro.
Prémio Melhor Argumento Português em Competição Internacional (FNAC)
1999 "A Suspeita", José Miguel Ribeiro.
Menção Honrosa - "Shshsh - Sinfonia Incompleta", Mário Jorge Neves.
2000 "Clandestino", Abi Feijó.
2002 "As Coisas lá de Casa", José Miguel Ribeiro.
Menção Honrosa: "Dois Diários e Um Azulejo", Jorge Margarido,
Afonso Cruz, Luís Alvoeiro.
Prémio Melhor Filme Português em Competição Internacional (Cartoon-Portugal)
1999 "A Suspeita", José Miguel Ribeiro. Menção Honrosa:
"Abecedário", André Marques. Menção Honrosa:
"A Noite", Regina Pessoa.
2000 "Clandestino", Abi Feijó. Menção Honrosa:
"Inverno", colectivo Atelier CITEN/Gulbenkian.
2002 "As Coisas Lá de Casa", José Miguel Ribeiro.
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