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Cartaz do Cinanima 2003
07-08-2003
Cinema de Animação
A Cidade Inspiradora
 
Este ano vai-se realizar o 27º festival internacional de animação em Espinho. Uma história de sucesso de um projecto amador que nasceu por parolice e que hoje é uma referência mundial.
Cartaz do "Cinanima 2003"  
 
 

Da junção das palavras "Cinema" e "Anima" nasceu em 1977 na cidade de Espinho o festival internacional de animação "Cinanima". Hoje é uma referência internacional, mas nem só de palavras se fazem os festivais, e o seu arranque foi uma missão difícil.

Tudo começara um ano antes, quando a Cooperativa Nascente, formada por pessoas como Álvaro Cordeiro e Eduardo Oliveira, decidem organizar um festival de animação e um encontro de banda desenhada. O resultado foi positivo, com a realização de ateliers de animação e exibição de diversos filmes internacionais, o que levou a pensar no passo em frente. A ideia estava formada: "Vamos fazer um festival internacional, vamos explorar o filão do cinema animado, vamos para Annecy estabelecer contactos e vamos a Lisboa pedir dinheiro". E foram, de facto.

Em Annecy contactaram com alguns dos maiores autores mundiais, em Lisboa conseguiram, com a ajuda de Alves Costa, e apesar das dificuldades iniciais, o apoio de Bénard da Costa, que era responsável pela área de cinema da Gulbenkian. Este disponibilizou cinquenta contos e emprestou, de forma continuada, uma máquina de projectar da Checolováquia.

Para convencer os membros da ASFIC, associação mundial do sector, que estava relutante em apoiar o festival, optaram por convidar a mulher do presidente, que também era autora, Joy Batchelor, para integrar o júri.

Assim, em Novembro de 1977, surgiu a primeira edição do Cinanima, com alguns dos participantes a pagarem as viagens do seu próprio bolso e episódios caricatos como a exibição de um filme sobre gaivotas. Gaivotas reais, não animadas, de uma filme búlgaro, que passou por engano, já que não havia uma verdadeira selecção prévia, para além do conhecimento geral de cada um. O visionamento foi efectuado no antigo Cine-Teatro D. Pedro, alugado de propósito para o festival, que durante muitos anos andou com a casa às costas, sem poiso fixo.

Em 1981, o festival, que ia na sua quinta edição, esteve para não se realizar. Um diferendo entre a comissão organizadora e a Cooperativa levou à demissão dos primeiros, surgindo então António Gaio, que assegurou a continuidade do Cinanima.

Até hoje, já se realizaram 26 festivais de animação em Espinho, por onde passaram das maiores figuras e melhores obras mundiais, sendo uma referência para a exibição de trabalhos de autores portugueses. Para além dos visionamentos, aos quais não tem faltado público, os debates e encontros mais ou menos informais ajudam a perceber melhor a riqueza e especificidade desta arte cinematográfica. O facto do Cinanima ter desde 2000 um espaço fixo com condições condignas, o Centro Multimeios, também lhe veio dar uma outra segurança e apresentação.

Fontes:

COSTA, Luís e AUGUSTO, Mário. "Memórias de prata - Cinanima 25 anos", Edição Ideias e Conteúdos, 2001.

GAIO, António. "História do cinema português de animação - contributos", Edição Porto 2001, Porto, 2001.

Portugueses premiados no Cinanima

Prémio Jovem Cineasta Português

1991
"História de Amor", Alice Geirinhas

1992
"O Alegre Rio Douro", Colectivo Infantil, Projecto Zona Histórica da Sé do Porto.

1993
"O Parto", Colectivo Infantil, Anilupa.

1994
"O furacão Gulliver", Colectivo Infantil, Anilupa.

1995
"Estória do Gato e da Lua", Pedro Serrazina.

1996
"O Cravo da Liberdade", colectivo infantil da Escola das Caldas Taipas (Guimarães).
Menção Honrosa:
"Poluição", colectivo infantil, Anilupa.

1997
"Transformações", André Marques.

1998
"Lado B", alunos do curso de animação CITEN/Calouste Gulbenkian.
Menção Honrosa:
"A Casa do João", Daniela Duarte Rui.

1999
"A Noite", Regina Pessoa.

2000
"O Inverno", colectivo do atelier do CITEN/Gulbenkian;
"De Cabeça Perdida", Isabel Aboim Inglez.

2002
"Concretus", Tiago Gomez Rodrigues;
"O Burro que queria voar", Colectivo de uma escola de Beja;
"As Canções de Miragaia", Colectivo Infantil, Anilupa.

Prémio da Cidade de Espinho

1993
"Os Salteadores", de Abi Feijó.

Prémio Categoria e Publicidade

1995
"Água Castelo 2", Carlos Cruz.

Prémio Categoria F (Didáctico e Formação)

1995
"Banquete da Rainha", José Miguel Ribeiro.

Prémio Categoria G (Primeiro Filme)

1995
"Estória do Gato e da Lua", Pedro Serrazina

Prémio Categoria Genéricos

1998
"Jardim da Celeste", José Miguel Ribeiro.

Prémio Alves Costa

1995
"Fado Lusitano", Abi Feijó.

1999
"A Suspeita", José Miguel Ribeiro.

Prémio Melhor Argumento Português em Competição Internacional (FNAC)

1999
"A Suspeita", José Miguel Ribeiro.

Menção Honrosa - "Shshsh - Sinfonia Incompleta", Mário Jorge Neves.

2000
"Clandestino", Abi Feijó.

2002
"As Coisas lá de Casa", José Miguel Ribeiro.
Menção Honrosa:
"Dois Diários e Um Azulejo", Jorge Margarido, Afonso Cruz, Luís Alvoeiro.

Prémio Melhor Filme Português em Competição Internacional (Cartoon-Portugal)

1999
"A Suspeita", José Miguel Ribeiro.
Menção Honrosa:
"Abecedário", André Marques.
Menção Honrosa:
"A Noite", Regina Pessoa.

2000
"Clandestino", Abi Feijó.
Menção Honrosa:
"Inverno", colectivo Atelier CITEN/Gulbenkian.

2002
"As Coisas Lá de Casa", José Miguel Ribeiro.

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  Luís Villalobos

 

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