| |
A 18 de Junho de 1896, no Real Colyseu da Rua da Palma nº 288, Edwin Rousby
apresentava o seu Animatógrafo em Lisboa.
Porém o público português conhecia já a projecção de fotografias, primeiro
pelos cicloramas, dioramas e as vistas estereoscopias e, mais tarde, pela
lanterna mágica, com a projecção de fotografias transparentes em chapa de
vidro posteriormente coloridas. A 28 de Dezembro de 1894, o fotógrafo alemão
Carlos Eisenlohr inaugurava a sua "Exposição Imperial" nas lojas do Hotel
Avenida Palace. Para além das projecções já conhecidas dos lisboetas,
apresentou a grande novidade: a fotografia viva - veiculada não por um
Kinetograph de Edison, como foi publicitado então - mas pelo
Elektrotachyscop ou Schnellseher, um invento de Ottomar Anschutz, que A. J.
Ferreira opta, fundamentadamente, por chamar de Electro-Tachiscópio
Eisenlohr. Projectava imagens de acções, de um cão a andar ou o galope de um
cavalo, contidas em discos de diâmetro reduzido que produziam imagens de
curtíssimos segundos.
No princípio de 1895, a Tabacaria Neves apresenta o Kinetoscope de Edison
(na verdade uma cópia do invento, construída em Londres por Robert W. Paul,
encomendada pelo grego George Georgiades, que apresentou a máquina em
Lisboa). Ao contrário do invento precedente, o Kinestoscope tinha o
visionamento individual e a película com cerca de 1380 fotografias permitia
uma projecção de 20 segundos.
A máquina que apresentou a sessão cinematográfica no Real Colyseu não foi o
Cinematógrafo dos Irmãos Lumiére, mas antes uma sua concorrente, também da
autoria do inglês Robert W. Paul, o Teatrograph, que apenas projectava. A
máquina projectava por detrás da tela, onde apareciam imagens de tamanho
natural, representando durante cerca de um minuto. A sessão foi muito bem
recebida e nos meses que se seguiram à sessão da Rua da Palma, várias foram
as máquinas que rodopiaram nos cinemas lisboetas, disputando entre si o
público cinéfilo.
No Real Colyseu da Rua da Palma do comendador António Santos Júnior, a 18 de
Junho de 1986, Edwin Rousby
exibe os filmes da casa produtora do inglês Robert-William Paul, da qual é
enviado. São filmes de cerca de um minuto, "vistas animadas" tomadas pelos
operadores da produtora inglesa: "Bailes Parisienses", "A Ponte Nova em
Paris", "O Comboio", "A Dança Serpentina", "Uma Loja de Barbeiro e
Engraxador em Washington". RW. Paul enviará também o seu operador
Henry Short ao sul da Europa, registar vistas animadas de paisagens que
enriqueceriam o programa da casa produtora inglesa. Short passa também por
Portugal, registando várias vistas que, embora destinadas a ser exibidas em
Londres, chegariam a ser integradas no programa das sessões portuguesas de
Rousby, em 1897.
O sucesso é arrebatador, acabando por prolongar a sua estadia e aumentar as
sessões. Mas foi quando Rousby seguiu a sua tournée para o Teatro-Circo
Príncipe Real, no Porto, que a fotografia animada não só ganha um
entusiasta, como cria um profissional, fundador do cinema português:
Aurélio da Paz dos Reis. De Julho a Agosto Rousby exibe os seus
filmes no Teatro do Príncipe Real (hoje Teatro Sá da Bandeira), não
repetindo, porém, o sucesso de Lisboa.
Bibliografia e Fontes
Félix Ribeiro, O Cinema Português antes do Sonoro, Esboço Históriconema
Português, Terra Livre, Lisboa, 1978.
Ribeiro, Félix, Panorama do Cinema Português, Lisboa.
Bandeira, José Gomes, Porto: 100 anos de cinema português, Câmara Municipal
do Porto, Porto, 1996.
Antunes, João e Matos-Cruz, José de, Cinema Português 1896-1998, Lusomundo,
Lisboa, 1997.
Duarte, Fernando, Primitivos do Cinema Português, ed. Cinecultura, Lisboa,
1960.
|