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Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança, de Aurélio Paz dos Reis (Col. Cinemateca Portuguesa)
31-10-2003
O Cinema Mudo Português
Os Primórdios
 
Os irmãos Lumière apresentaram, pela primeira vez, o seu Cinematógrafo em Paris no Grand Café, tornando célebre a data de 28 de Dezembro de 1895. Pouco mais de seis meses depois o cinema debutava em Lisboa.
"Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança", de Aurélio Paz dos Reis (Col. Cinemateca Portuguesa)  
 
 

A 18 de Junho de 1896, no Real Colyseu da Rua da Palma nº 288, Edwin Rousby apresentava o seu Animatógrafo em Lisboa.

Porém o público português conhecia já a projecção de fotografias, primeiro pelos cicloramas, dioramas e as vistas estereoscopias e, mais tarde, pela lanterna mágica, com a projecção de fotografias transparentes em chapa de vidro posteriormente coloridas. A 28 de Dezembro de 1894, o fotógrafo alemão Carlos Eisenlohr inaugurava a sua "Exposição Imperial" nas lojas do Hotel Avenida Palace. Para além das projecções já conhecidas dos lisboetas, apresentou a grande novidade: a fotografia viva - veiculada não por um Kinetograph de Edison, como foi publicitado então - mas pelo Elektrotachyscop ou Schnellseher, um invento de Ottomar Anschutz, que A. J. Ferreira opta, fundamentadamente, por chamar de Electro-Tachiscópio Eisenlohr. Projectava imagens de acções, de um cão a andar ou o galope de um cavalo, contidas em discos de diâmetro reduzido que produziam imagens de curtíssimos segundos.

No princípio de 1895, a Tabacaria Neves apresenta o Kinetoscope de Edison (na verdade uma cópia do invento, construída em Londres por Robert W. Paul, encomendada pelo grego George Georgiades, que apresentou a máquina em Lisboa). Ao contrário do invento precedente, o Kinestoscope tinha o visionamento individual e a película com cerca de 1380 fotografias permitia uma projecção de 20 segundos.

A máquina que apresentou a sessão cinematográfica no Real Colyseu não foi o Cinematógrafo dos Irmãos Lumiére, mas antes uma sua concorrente, também da autoria do inglês Robert W. Paul, o Teatrograph, que apenas projectava. A máquina projectava por detrás da tela, onde apareciam imagens de tamanho natural, representando durante cerca de um minuto. A sessão foi muito bem recebida e nos meses que se seguiram à sessão da Rua da Palma, várias foram as máquinas que rodopiaram nos cinemas lisboetas, disputando entre si o público cinéfilo.

No Real Colyseu da Rua da Palma do comendador António Santos Júnior, a 18 de Junho de 1986, Edwin Rousby exibe os filmes da casa produtora do inglês Robert-William Paul, da qual é enviado. São filmes de cerca de um minuto, "vistas animadas" tomadas pelos operadores da produtora inglesa: "Bailes Parisienses", "A Ponte Nova em Paris", "O Comboio", "A Dança Serpentina", "Uma Loja de Barbeiro e Engraxador em Washington". RW. Paul enviará também o seu operador Henry Short ao sul da Europa, registar vistas animadas de paisagens que enriqueceriam o programa da casa produtora inglesa. Short passa também por Portugal, registando várias vistas que, embora destinadas a ser exibidas em Londres, chegariam a ser integradas no programa das sessões portuguesas de Rousby, em 1897.

O sucesso é arrebatador, acabando por prolongar a sua estadia e aumentar as sessões. Mas foi quando Rousby seguiu a sua tournée para o Teatro-Circo Príncipe Real, no Porto, que a fotografia animada não só ganha um entusiasta, como cria um profissional, fundador do cinema português: Aurélio da Paz dos Reis. De Julho a Agosto Rousby exibe os seus filmes no Teatro do Príncipe Real (hoje Teatro Sá da Bandeira), não repetindo, porém, o sucesso de Lisboa.

Bibliografia e Fontes

Félix Ribeiro, O Cinema Português antes do Sonoro, Esboço Históriconema Português, Terra Livre, Lisboa, 1978.

Ribeiro, Félix, Panorama do Cinema Português, Lisboa.

Bandeira, José Gomes, Porto: 100 anos de cinema português, Câmara Municipal do Porto, Porto, 1996.

Antunes, João e Matos-Cruz, José de, Cinema Português 1896-1998, Lusomundo, Lisboa, 1997.

Duarte, Fernando, Primitivos do Cinema Português, ed. Cinecultura, Lisboa, 1960.

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