Amor de Perdição
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ficha técnica

Título original:
As Bodas de Deus

Origem:
Portugal, França

Duração:
150 min.

Local de Estreia:
Lisboa -5 de novembro 1999

Realização
João César Monterio

Produção
Madragoa Filmes
Gemini Films (França)
RTP - Radiotelevisão Portuguesa

Diálogos
João César Monterio

Assist. Realização
João Fonseca
Joana Ferreira

Actores
Luís Miguel Cintra
José Mora Ramos
Fernando Heitor
Rita Durão
Joana Azevedo
José Airosa
Manuela de Freitas
Ana Velasquez
Fernando Mora Ramos
João Liszt
Jean Douchet
Filipa Araújo
Sofia Marques
Teresa Negrão
Paulo Miranda
Maria João Ribeiro
Tiago Cutileiro
Ana Mindillo
David Almeida
Vasco Sequeira
João César Monterio

Dir. Fotografia
Mário Barroso

Imagem
Pedro Caldeira
Muriel Mayret

Montagem
Joaquim Pinto

Decoração
Alfredo Furiga

Dir. Som
Joaquim Pinto

Música
Orquestra Juvenil de Évora

Produtor
Paulo Branco

Interiores
Centro Paroquial de Colares
Pousada da rainha Santa Isabel - Estremoz
Prisão de Peniche
Tribunal da Boa-Hora
Teatro Nacional S. Carlos

Exteriores
Lisboa
Sintra
Azeitão
Sesimbra
Praia de Adraga
Peniche
Piodão
Serra da Estrela

Lab. Imagem
Tóbis Portuguesa

negativo:
35 mm

som:

base de dados
filmes

 

Cartaz de As Bodas de Deus, de João César Monteiro (Madragoa Filmes)
Longa Metragem; 1998
As Bodas de Deus
de João César Monterio
 

com    Rita Durão (Joana de Deus), João César Monteiro (João de Deus), Joana Azevedo (Princesa Elena Gombrowicz), José Airosa (Princípe Omar Rachid), Manuela de Freitas (Madre Bernarda) e Luís Miguel Cintra (enviado de Deus)

Cartaz de "As Bodas de Deus", de João César Monteiro (Madragoa Filmes)  

Sinopse:

Tudo parece perdido. É então que num velho parque solitário e gelado, duas sombras se encontram: a de Deus e a de um Enviado de Deus.

O Enviado de Deus dá ao vadio (estado provisório do pobre João de Deus) uma mala cheia de dinheiro. Missão cumprida, o Enviado vai à vida. Debaixo da árvore à beira do lago, João conta as pápulas. A água silente do lago é perturbada pela queda de um corpo. Ouvido o que se passou, vai João ver o que se passa. A jovem Joana está prestes a afogar-se. João atira-se à água retira Joana. Ministrados os primeiros e tão prontos socorros, João transporta a inanimada para um convento de freiras. Que confiança! Que aventurança!

Volta ao parque para recuperar o dinheiro contido na mala. Felizmente, aquela hora do dia, os viandantes não viandam.

Rico como Cresus, João regressa ao co um interrogatório. É enclausurado em regime de prisão preventiva num ailo psiquiátrico que, aliás, conhece razoavelmente bem. Após uma entrevista com o Director da instituição, um velho conhecido para quem o seu dossier é familiar, dá-se conta, uma vez mais, que ninguém acredita na proveniência divina da sua fortuna. De resto, ele também não...

No espaço arquitectónico circular em que é fechado, julga rever o Enviado de Deus, mas este não o reconhece ou, o que vem a dar ao mesmo, finge não o reconhecer. Diz a João de Deus que é o Cristo depois da Ascensão e nega ter-lhe dado dinheiro.

No tribunal, diante dos juízes, João de Deus comete um acto de desobediência e declara-se inocente, mau grado os seus pecados. É condenado a uma pena de cadeia, durante a qual recebe a visita de Joana.

Purgada escrupulosamente a pena, Joana espera João de Deus à saída da prisão. Partem. Joana anuncia o fim da comédia.

João César Monteiro

Nota de Intenções:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Luiz de Camões

Se o percurso dos filmes não fosse sujeito a mundanos e variados acidentes, o deste teria retomado o seu fôlego reparador no fim de A COMÉDIA DE DEUS e, encontrado que estava o ritmo e o ânimo para o resto da caminhada (as excepções são as cenas do psiquiatra e do hospício, filmadas em 1995), tudo parecia indiciar uma rota segura e o povoamento da terra arável de um sonho tomado no seu absoluto amoroso, isto é, horrorosamente monogâmico.

Teríamos, por certo, um silogismo nupcial suficientemente solar para ser não só portador da sua própria incandescência, como para encandear a substância selénica do filme precedente (A COMÉDIA), esclarecendo-lhe, na sua função de agente revelador, a alquimia do seu sentido obscuro.

Ora, dado que a história das coisas não só não foi essa, como não foi moldada em acordo e consonância com o nosso novo desejo, receio bem que, uma vez mais, nos encontremos confrontados com uma aporia tanto mais perversa quanto mais delicada.

Não lembra ao diabo fazer um filme que, ainda por cima com alguma ironia, nos fala repetidamente da impossibilidade do seu propósito, da impossibilidade da sua razão de ser.

Sossegai-vos, no entanto, ó incrédulos. Pode-se viver com isso, pode-se viver assim.

E alguns de nós, (poucos, espero), terão de convir que AS BODAS DE DEUS é um filme delicioso. Noblesse oblige.

João César Monteiro

Festivais:

Festival de Cannes 1999 - Selecção Oficial, Un Certain Regard
Festival de Mar del Plata 1999 - Prémio Ombú d'Oro (Umbezeiro de Ouro) para Melhor Filme

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Associação para a Promoção do Cinema Português