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Sinopse:
A vida dos pescadores - da indumentária aos hábitos quotidianos - a faina
marítima, a vila, a praia e o mar da Nazaré na década de vinte.
Observações:
"Nazaré", só parcialmente subsiste (a segunda parte do filme desapareceu)
mas o que dele ficou é plasticamente admirável e talvez nunca mais tenha
voltado a ser conseguido, com tanta força e pureza, na obra do Autor,
porventura, depois de Manoel de Oliveira, o maior cineasta dos nossos anos
30 e 40."
João Bénard da Costa, in Histórias do Cinema, col. Sínteses da Cultura
Portuguesa, Europália 91, ed. Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991.
"Nitidamente influenciado pela vanguarda cinematográfica europeia,
designadamente a soviética, Leitão de Barros construiu um filme documental
seguindo uma concepção de "cinema puro", que a luminosidade e o recorte do
preto e branco de Costa Macedo acentuavam no plano plástico. A Nazaré e as
suas gentes, de resto, são um tema a preto (os fatos, as sombras, as redes)
e branco (as casas, a areia, o céu), e o cineasta, também pintor,
compreendeu-o perfeitamente. Mas acrescentou aos elementos descritivos o
toque lírico, aqui e além reforçado pela pura invenção cinematográfica, como
na cena do nascimento da rede. Ao contrário de muitos documentários
portugueses posteriores, Leitão de Barros criava um ambiente verista que,
mesmo em tom de crónica fugidia, não deixava de acentuar contrastes, de
dinamizar conceitos visuais, erguer a imagem ao máximo da sua potência
anímica.
(...) A crítica e os seus entendidos repararam que tinha nascido ali um
possível cinema português. Era um caminho, que veio a ser trilhado por mais
alguns e que teve sempre a vantagem de fugir às ilusões realistas pela via
do lírico e, porque não, do sentimental."
Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col.
Saber, 1986.
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