Amor de Perdição
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ficha técnica

Título original:
Silvestre

Origem:
Portugal

Duração:
118 min.

Local de Estreia:
Cinebloco (Lisboa) - 6 de Maio de 1982

Realização
João César Monterio

Produção
V.O. Filmes

Argumento
João César Monterio

Diálogos
Maria Velho da Costa

Assist. Realização
Helena Domingos
Margarida Gil

Actores
Ruy Furtado
Luís Miguel Cintra
João Guedes
Teresa Madruga
Cucha Carvalheiro
Maria de Medeiros
Jorge Silva Melo
Rogério Vieira
Raquel Maria
Afonso Vasconcelos
Xosé Maria Stravis
Helena Afonso

Dir. Fotografia
Acácio de Almeida

Imagem
José António Loureiro

Montagem
Teresa Caldas
João César Monterio

Decoração
Ana Jotta

Dir. Som
Vasco Pimentel

Misturas
Jean-Paul Loublier

Vozes
João Perry
Manuela de Freitas
José Mário Branco
Hermínio Rebelo

Produção Executiva
Paulo Branco

Interiores
Tóbis Portuguesa

Exteriores
Rio Frio
Castelo de Almorol

Distribuição
Filmes Lusomundo

negativo:
35 mm

som:

base de dados
filmes

 

Silvestre, de João César Monteiro (Col. Cinemateca Portuguesa)
Longa Metragem; 1981
Silvestre
de João César Monterio
 

com    Maria de Medeiros (Sílvia, Silvestre), Teresa Madruga (Suzana), Luís Miguel Cintra (Peregrino, Cavaleiro, Dom Raimundo), Jorge Silva Melo (Dom Paio, Bobo), João Guedes (Dom Rodrigo) e Ruy Furtado (Matias).

"Silvestre", de João César Monteiro (Col. Cinemateca Portuguesa)  

Sinopse:

Séculos XV-XVI. Dom Raimundo, um senhor interessado em alargar os seus domínios, combina o casamento de uma das suas duas filhas - uma legítima, Sílvia, a outra bastarda, Suzana - com um vizinho rico e jovem, Dom Paio. Depois, ausenta-se para a corte. Durante a ausência do pai e mais tarde, aquando do banquete nupcial, ocorrem insólitos acontecimentos, que envolvem um peregrino a Santiago e um cavaleiro, que desejam as duas meninas.

Observações:

Adaptação de dois contos tradicionais portugueses: "A Mão do Finado" e "A Donzela que Vai à Guerra".

Seleccionado para a Mostra de Veneza, em 1981, impôs além-fronteiras o nome de João César Monteiro como cineasta de culto.

"... No belíssimo "Silvestre" (...), João César Monteiro (...) recriou a história da donzela que foi à guerra e que para se fazer soldado se fez passar por mancebo. Sílvia volveu-se Silvestre, numa referência clara a "Sylvia Scarlett" de Cukor.

Recorrendo ao estúdio para recriar a Idade Média, tempo do seu filme, César Monteiro assinou a sua obra plasticamente mais bela, com admiráveis referências à pintura do século XV, flamenga e italiana. E em "Silvestre" se revelou a actriz que teria nos anos 80 a carreira internacional com que tantas das suas predecessoras sonharam, sem jamais o haverem conseguido: Maria de Medeiros perturbantíssima presença, que foi capaz de dar rosto e corpo, aos 17 anos que então tinha, ao mito do andrógino que representava. Ao lado dela, Luís Miguel Cintra, Jorge Silva Melo e Teresa Madruga contribuem para um nível de representação rarissimamente alcançado em filmes portugueses e para um prazer de "beleza" que este filme assume radicalmente, nas suas caleidoscópias referências e citações."

João Bénard da Costa, in Histórias do Cinema, col. Sínteses da Cultura Portuguesa, Europália 91, ed. Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

"Se a crítica deve ser excessiva e apaixonada, sejamo-lo: "Silvestre é um clarão. Como tal, ofuscante, exponencial. Como tal, certamente destinado a dividir, queimar, zurzir, a faixa estreita dos medíocres e dos insensíveis. História de amor e de amor maldito, cego, negro, "Silvestre" descobre, de nós portugueses de chão agreste e excessos impensáveis, a paixão da desordem.

Da nossa linguagem colhe a raiz e confirma, em César Monteiro, um talento de escritor. Da nossa moral colhe a ordem (D. Rodrigo/João Guedes, Suzana/Teresa Madruga), a subversão (Sílvia/Maria de Medeiros,

o cavaleiro/Luís Miguel Cintra) e a tontice (D. Paio/Jorge Silva Melo, o alferes/Xosé Maria Staviz) e toma partido. Da memória da pintura de todos os territórios colhe as imagens, o clar-escuro, os matizes, a sombra. Da vida colhe o muito amor e a ácida ironia. E com tudo isso se faz um filme apaixonante.

Não cabem aqui muitas palavras. Mas retenha-se: 1) os actores sem excepção. 2) a fotografia, sublime. 3) Os cenários. 4) A acerada economia de meios para extremas intensidades."

Jorge Leitão Ramos, in Dicionário do Cinema Português 1962-1988, ed. Caminho, 1989.

Prémios e Festivais:

Menção Especial CIDALC-Centre pour la Difusion des Arts et des Lettres par le Cinéma, no Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, em 1981

2º Prémio do Público no Festival de Cinema de Antuérpia, Bélgica, em 1982

Se7es de Ouro ao Melhor Actor - Luís Miguel Cintra, e à Melhor Actriz - Maria de Medeiros, em 1983

 

 
Associação para a Promoção do Cinema Português