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Sinopse:
Séculos XV-XVI. Dom Raimundo, um senhor interessado em alargar os seus
domínios, combina o casamento de uma das suas duas filhas - uma legítima,
Sílvia, a outra bastarda, Suzana - com um vizinho rico e jovem, Dom Paio.
Depois, ausenta-se para a corte. Durante a ausência do pai e mais tarde,
aquando do banquete nupcial, ocorrem insólitos acontecimentos, que envolvem
um peregrino a Santiago e um cavaleiro, que desejam as duas meninas.
Observações:
Adaptação de dois contos tradicionais portugueses: "A Mão do Finado" e "A
Donzela que Vai à Guerra".
Seleccionado para a Mostra de Veneza, em 1981, impôs além-fronteiras o nome
de João César Monteiro como cineasta de culto.
"... No belíssimo "Silvestre" (...), João César Monteiro (...) recriou a
história da donzela que foi à guerra e que para se fazer soldado se fez
passar por mancebo. Sílvia volveu-se Silvestre, numa referência clara a
"Sylvia Scarlett" de Cukor.
Recorrendo ao estúdio para recriar a Idade Média, tempo do seu filme, César
Monteiro assinou a sua obra plasticamente mais bela, com admiráveis
referências à pintura do século XV, flamenga e italiana. E em "Silvestre" se
revelou a actriz que teria nos anos 80 a carreira internacional com que
tantas das suas predecessoras sonharam, sem jamais o haverem conseguido:
Maria de Medeiros perturbantíssima presença, que foi capaz de dar rosto e
corpo, aos 17 anos que então tinha, ao mito do andrógino que representava.
Ao lado dela, Luís Miguel Cintra, Jorge Silva Melo e Teresa Madruga
contribuem para um nível de representação rarissimamente alcançado em filmes
portugueses e para um prazer de "beleza" que este filme assume radicalmente,
nas suas caleidoscópias referências e citações."
João Bénard da Costa, in Histórias do Cinema, col. Sínteses da Cultura
Portuguesa, Europália 91, ed. Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
"Se a crítica deve ser excessiva e apaixonada, sejamo-lo: "Silvestre é um
clarão. Como tal, ofuscante, exponencial. Como tal, certamente destinado a
dividir, queimar, zurzir, a faixa estreita dos medíocres e dos insensíveis.
História de amor e de amor maldito, cego, negro, "Silvestre" descobre, de
nós portugueses de chão agreste e excessos impensáveis, a paixão da desordem.
Da nossa linguagem colhe a raiz e confirma, em César Monteiro, um talento de
escritor. Da nossa moral colhe a ordem (D. Rodrigo/João Guedes,
Suzana/Teresa Madruga), a subversão (Sílvia/Maria de Medeiros,
o cavaleiro/Luís Miguel Cintra) e a tontice (D. Paio/Jorge Silva Melo, o
alferes/Xosé Maria Staviz) e toma partido. Da memória da pintura de todos os
territórios colhe as imagens, o clar-escuro, os matizes, a sombra. Da vida
colhe o muito amor e a ácida ironia. E com tudo isso se faz um filme
apaixonante.
Não cabem aqui muitas palavras. Mas retenha-se: 1) os actores sem excepção.
2) a fotografia, sublime. 3) Os cenários. 4) A acerada economia de meios
para extremas intensidades."
Jorge Leitão Ramos, in Dicionário do Cinema Português 1962-1988, ed.
Caminho, 1989.
Prémios e Festivais:
Menção Especial CIDALC-Centre pour la Difusion des Arts et des Lettres par
le Cinéma, no Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, em 1981
2º Prémio do Público no Festival de Cinema de Antuérpia, Bélgica, em 1982
Se7es de Ouro ao Melhor Actor - Luís Miguel Cintra, e à Melhor Actriz -
Maria de Medeiros, em 1983
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