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Sinopse:
Retrato da alta burguesia, pelo final de dos anos cinquenta. Após um
acidente fatal, que envolve um irmão, Elsa procura romper com o estrato
corrupto e preconceituoso de que é oriunda, o qual leva Francisco, pai da
vítima, motorista de uma família rica, a resignar-se com o irremediável,
para não compromoter o filho do patrão, procurando tirar do drama algumas
vantagens.
Observações
Adaptação do drama teatral homónimo de Luís Francisco Rebello. Adaptado pelo
autor e pelo realizador, com diálogos de Luís de Sttau Monteiro e Alexandre
O'Neill.
O filme teve muitos cortes da censura. Porém a metragem do que se supõe ser
a montagem final, 2509 mt, corresponde ao negativo conservado. Estreou nos
cinemas Condes e Roma, em Lisboa, em 3 de Março de 1963.
"Filme de nítida "crítica social", denúncia de costumes burgueses (...),
onde se destaca uma tomada de posição característica dos autores
neo-realistas (...). Peca sobretudo pelo esquematismo do conflito e pelo
concencionalismo das personagens, manobradas por uma "tese" para demonstrar.
Falta sobretudo um fôlego cinematográfico, uma liberdade de exposição, uma
verosimilhança que destruísse o "retrato-robot" de uma classe, por muito
positivas e politicamente oportunas que fossem as críticas feitas, por
graves que tenham sido os condicionalismos de censura."
Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col.
Saber, 1986
"Com "Dom Roberto"
, este filme marca, na historiografia habitual, o início do chamado Cinema
Novo. Por mim gostaria de o situar mais na charneira que no príncipio de
qualquer coisa. Até porque o que dele resta é sobretudo uma intenção, uma
vontade de diferença que, porém, se fica pelo gesto e não chega,
verdadeiramente, a pô-lo em acto (...).
Jorge Leitão Ramos, in Dicionário do Cinema Português 1962-1988, ed.
Caminho, 1989
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