Sinopse:
Numa comunidade da orla costeira, dois clãs - um pequeno mas influente,
formado pelos proprietários dos barcos e, o outro, maior e de baixos
recursos constituído pelos pescadores. Sobre uma intriga de ódios,
rivalidades e paixões, paira um terrível segredo.
Observações:
Foi em "Os Olhos da Alma" que a Nazaré serviu pela primeira vez de cenário a
um filme português. Estreou em Paris e Londres.
"Pelo dramatismo com que algumas sequências são filmadas e pela qualidade
plástica dos seus planos, "Os Olhos da Alma" é um dos dos mais interessantes
filmes do período mudo do cinema português. (...)
É o filme que "descobre" a Nazaré (retomada por
Leitão de Barros em "Nazaré, Praia de Pescadores" e "Maria do Mar"),
revela o esplendor do cenário do Mosteiro da Batalha, dá a ver imagens da
conturbação política lisboeta da época, no que é, de resto, essa sim, uma
originalidade a não menosprezar já que as "ambientações" urbanas escasseiam
nas produções da época,. (...)
(Roger Lion confere) ao filme uma assinalável carga dramatica em termos
visuais. Pode dizer-se que toda a sequência da tempestade e do salvamento, é
de antologia. Está lá a dimensão trágica, está lá a confluência entre a
subida da tensão dramatica e o simultâneo desfecho narrativo das histórias
familiars e amorosas do enredo, está lá uma plasticidade raras vezes
conseguida em filmes portugueses da época. (...)
Maria João Madeira, in Folhas da Cinemateca, 17 de Maio de 2003.
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