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ficha técnica

Título original:
Maria do Mar

Origem:
Portugal

Duração:
2500 metros (reg. censura: 3000m) - 2123 metros

Local de Estreia:
Odeon, São Luiz (Lisboa) - 20 de Maio de 1930

Realização
Leitão de Barros

Produção
Sociedade Universal de Superfilmes (SUS)

Assist. Realização
António Lopes Ribeiro

Actores
António Duarte
Galiana Murraças
Rafael Alves
Rosa Maria
Adelina Abranches
Alves da Cunha
Horta e Costa
Maria Leo
Oliveira Martins
Perpétua Santos
Celestino Pedroso
Mário Duarte
Bernardina

Dir. Fotografia
Manuel Luis Vieira
Salazar Diniz

Montagem
Leitão de Barros

Interiores
Jardim Inverno S. Luis

Exteriores
Batalha
Nazaré
Castelo de Leiria

Distribuição
Sociedade Universal de Superfilmes (SUS)

negativo:
35 mm

som:
Mudo

base de dados
filmes

 

Maria do Mar de Leitão de Barros (Col. Cinemateca Portuguesa)
Filme Mudo; 1930
Maria do Mar
de Leitão de Barros
 

com    Rosa Maria (Maria do Mar), Oliveira Martins (Manuel), Adelina Abranches (Tia Aurélia), Alves da Cunha (Falacha), Perpétua dos Santos (Mulher do Falacha) e Horta e Costa (“Perú”).

"Maria do Mar" de Leitão de Barros (Col. Cinemateca Portuguesa)  

Sinopse:

Falacha é arrais (patrão de um barco) da Nazaré e provoca, sem querer, a morte a alguns homens. Entre eles encontrava-se o homem da Tia Aurélia, que nunca mais perdoa nem a ele, nem à família. Falacha acaba por se matar, não resistindo à pressão social. Mais tarde Maria, sua filha, é salva de um afogamento por Manuel, filho de Tia Aurélia.

Observações:

"Foi a partir das obsessivas imagens de "Nazaré" - certamente - das mais obsessivas de todo o cinema português - que Leitão de Barros", crescentemente influenciado pelo cinema soviético (e obras de Pudovkine ou Eisenstein de menor conteúdo propagandístico) e que conhecera melhor numa viagem ao estrangeiro em 1929, empreendeu o "documentário romanceado" "Maria do Mar", estreado em 1930 e que foi unanimamente considerado o maior acontecimento havido até então no cinema português. Se a "parte romanceada" (particularmente aquela em que Barros recorreu a dois "monstros sagrados" do teatro português, como Adelina Abranches (1866-1954) e Alves da Cunha (1889-1956) desiquilibra um pouco o conjunto, volta a afirmar-se a suprema maestria de Barros na captação da realidade humana dos pescadores da Nazaré.

(...) "Maria do Mar" (como "Nazaré") é sobretudo um soberbo fresco, onde o cinema português grava pela primeira vez uma tipologia humana dramática e por vezes trágica, com uma força telúrica esmagadora." João Bénard da Costa, Histórias do Cinema Português.

"É um dos exemplos mais conseguidos, à época em que foi feito, de abordagem documental de uma ficção dramática e lírica, utilizando quer a ficção quer o documentário para criar um microcosmos, onde explodem, sem peias argumentativas, as grandes paixões do homem. Conseguiu-o através de uma encenação que é uma das sínteses mais poderosas e singulares do realismo expressivo germânico, do conceoptualismo soviético e do cultismo representativo americano."

João Bénard da Costa, Maria do Mar, Catálogo da Cinemateca Portuguesa.

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"Leitão de Barros aborda pela primeira vez uma ficção de fundo, mas teve a colaboração de António Lopes Ribeiro como assistente e autor da sequência cinematográfica, do découpage, que garantiria um apoio técnico firme à encenação, como de facto aconteceu, apesar das fragilidades do enredo, de certas concessões ao sentimento, de certas desarmonias entre as interpretações dos actores profissionais e dos intérpretes estreantes e do povo. O fio da história é singelo e convencional: o registo mais feliz de Leitão de Barros refere-se à linguagem plástica das imagens e ao lado documental da acção.

(...) A composição, o enquadramento, o recorte da fotografia (desta vez assinada por Manuel Luís Vieira e Salazar Dinis), transformam muitos dos planos deste filme numa autêntica pintura em movimento. Leitão de Barros manifesta também a sua audácia e a sua modernidade (...) no modo como revelou sensualmente os corpos e como insinuou um claro erotismo em algumas cenas (o pai afagando os seios da filha, o pescador quase nu trazendo a rapariga nua sob o vestido molhado, a recortar-lhe as formas, o banho das jovens perto da foz), dando aos comportamentos uma outra verdade e uma motivação mais intensa: o convencionalismo da história desaparece ante a força anímica das relações humanas.

Do ponto de vista da acção, a sequência do drama não passa da vulgaridade, mas logo sobe de tom quando o documento domina o enredo. (...)

Luís de Pina, in Hisstória do Cinema Português, ed. Europa-América, col. Saber, 1986.

 

 
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