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Sinopse:
Serra da Cabreira. Uma aldeia dominada pela tradição patriacal: a mulher
ocupa-se das lidas do lar ou recolhe lenha; o homem vela pelos rebanhos ou
abate árvores de que fará carvão. Após cumprir pena por crime passional, um
marítimo chega àquelas paragens, convertendo-se em elemento de fascínio e
desagragação da estructura arcaica.
Observações:
"(...) Os Lobos ficaram (...) como o mais expressivo, o mais nobre filme
surgido antes do revolucionário advento do fonocinema. É, sem dúvida, a mais
bela jóia que a cinematografia portuguesa do período do cinema mudo tem para
mostrar." (...)
"Primeiro filme na história do cinema português em que se filma uma curta
cena de um nú integral de uma jovem."
Félix Ribeiro, in Filmes, Figuras e Factos da História do Cinema Portugês
1896-1949", ed. Cinemateca Portuguesa, 1983.
"De certo modo, Os Lobos é um filme "à deriva" sem a orientação estética
precisa nem uma filiação segura, mas que retira dessa errância uma
singularidade paradoxal. Por isso, se acham nele o que seriam no futuro
algumas constantes do cinema português: a criação de uma poética à margem de
um argumento ou até contra ele: a fundamentação de uma figuração plástica
como contorno de uma figuração dramática, que quase só por ela se exprime.
Talvez por isso -- inaugurando outra constante do nosso cinema -- "Os Lobos"
tenha sido uma obra muito mais apreciada no estrangeiro do que em Portugal,
onde a incongruência foi mais acentuada do que a inegável originalidade."
João Bénard da Costa, in Histórias do Cinema, col. Sínteses da Cultura
Portuguesa, Europália 91, ed. Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991.
"(...) Rino Lupo, que filmou cinco vezes mais que o previsto (...), acabou
por arruinar os financiadores com os seus métodos de rodagem, onde
predominava a improvisação e o desprezo pela sequência escrita. A sua
imaginação transbordante, o seu sentido de cinema, a sua inspiração de
última hora, dominavam os trabalhos, e isso, paradoxalmente, pela vibração
que transmitia, dava aos intérpretes uma fundamental naturalidade." (...)
"No entanto, a estreia do filme no São Luís, em 7 de Julho de 1923, não
provocou a atenção do público, e "Os Lobos" caiu alguns dias depois, vindo a
realizar, paradoxalmente, uma boa carreira no Brasil, na França, na Itália e
na Roménia. Talvez uma palavra explique o fenónemo: era um filme "novo",
"adiantado", que hoje se entende na sua qualidade cinematográgica, para o
qual o público não estava ainda preparado."
Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col.
Saber, 1986.
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