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Sinopse:
Quando Laura Rossellini decidiu, bruscamente, partir para Roma, levando
consigo os seus filhos, estava por certo convencida de que não mais
voltaria; que atrás de si deixara, para sempre, um "país morto". Porém,
cerca de um ano volvido, regressa à casa fronteira à orla marítima e, num
ameno clima de férias, reencontra o que resta da família e, porventura, algo
de inesperado.
Observações:
Estreou comercialmente apenas dez anos depois de concluído, no Cinema Ávila
(Lisboa), a 21 de Junho de 1996.
"Um tudo-nada depois do romantismo, um tudo-nada depois de se ter acreditado
que as paixões eram possíveis (depois da guerra de Espanha, depois do cinema
claro de Rossellini...), decorre este filme de João César Monteiro onde o
Sul mediterrânico não é um apelo ao sol vivo mas a um lugar translúcido,
matricial, já sereno, maduro, outonal. E é, contudo, uma história de amor
fugaz, numa casa de homens vazia e que, por isso, se invocam e à costa
arribam. Filme muito belo, onde se cruzam as 3 linguas do cinema que importa
(o italiano, o americano e o português) e todo um painel de íntimas viagens
(pelo cinema, pela pintura, pela música, pela vida), "À Flor do Mar" é a
mais encantatória pérola do cinema português da década de 80.
Da fotografia de Acácio de Almeida, toda em gradações de luz e espantos, ao
trabalho de Laura Morante (nunca foi filmada com tal extâse) e Manuela de
Freitas, do humor retorso de César Monteiro (o realizador que a si mesmo se
filma ausente ou então presente em traços de bárbaro) à fabulosa respiração
sonora, tudo é neste filme de uma intensidade que rima com paixão. A que
ainda existe, a do olhar e da escuta."
Jorge Leitão Ramos, in Dicionário do Cinema Português 1962-1988, ed.
Caminho, 1989
Prémios e Festivais:
Prémio Especial do Júri no Festival de Cinema de Salsomaggiore, Itália, em
1987.
Se7e de Ouro à Melhor Fotografia - Acácio de Almeida
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