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Sinopse:
Os dias do senhor João de Deus decorrem sem grandes sobressaltos, divididos
entre o seu trabalho no "Paraíso de Gelado" onde, a contento de todos,
desempenha as funções de encarregado e de inventor da especialidade da casa,
o famoso gelado "Paraíso", que faz as delícias da clientela, e a sua casa,
onde, paralelamente aos trabalhos domésticos, ocupa as suas horas de ócio,
quase sempre solitárias, a coleccionar pentelhos femininos, num precioso
album a que chama "Livro dos pensamentos".
As raparigas de origem modesta constituem o pessoal do estabelecimento, são
objecto dos cuidados permanentes do responsável, zeloso pelo cumprimento de
regras básicas de higiene que não façam perigar a saúde pública.
Satisfeita com o curso do negócio, Judite, a patroa, sonha fundi-lo com uma
empresa francesa e conta com os préstimos de João de Deus para impressionar
favoravelmente um famoso geladeiro francês, vindo expressamente de Paris
para provar a especialidade da casa. Os resultados são nulos e saldar-se-ão
por um rotundo fracasso.
Entretanto, o comportamento de João de Deus - até aí sem falhas - começa a
apresentar sintomas de desvios algo inquietantes. Que o digam a senhora
arquitecta, Rosarinho e Virgínia.
Um belo dia, João de Deus encontra a Joaninha de olhos verdes, a filha do
corpulento talhante da esquina e, depois de a ter atraído a sua casa,
presenteia-a, não só com um banho de leite de vaca, como com tantas e tais
guloseimas, que a menina se sente acometida de indisposição intestinal, o
que, felizmente, graças a João de Deus, é passageiro.
O carniceiro progenitor, pretextando bestiais ofensas ao hímen de Joaninha,
prepara-se para lavar a honra ultrajada num banho de sangue.
Hospitalizado de urgência, em estado considerado desesperado, João de Deus
consegue, todavia escapar às garras de morte. Também Judite, desta vez, não
se compadece: despedimento com justa causa.
De regresso a casa, aguarda-o um quadro devastador: uma montanha de
destroços, tudo feito em cacos, o "Livro dos pensamentos" reduzido a cinzas.
Festivais e Prémios:
Mostra de Veneza, 1995 - Grande Prémio Especial do Júri, Prémio
Cinemavvenire ao Filme, Prémio SNGCI-Sindicato dos Jornalistas de Cinema
Italianos à Realização, Prémio Pasinetti ao Filme, Prémio Filmecritica à
Realização, Prémio Mionetto à Realização.
Festival de Dunquerque, 1995 - Grande Prémio do Júri, Prémio do Júri Jovem
Cinema, Prémio à Interpretação Masculina - Max Monteiro (João César
Monteiro).
Eoropa alle Fonti, Itália, 1996 - Prémio Fiuggi
Cinemateca Real da Bélgica, 1996 - Prémio L'Âge d'Or
Festival de Montevideu, Uruguai, 1997 - Prémio FIPRESCI-Federação
Internacional de Críticos de Cinema
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