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Sinopse:
Vasco Leitão, estudante de medicina, vive da mesada das tias de
Trás-os-Montes e o consideram um aluno cumpridor. Ora, Vasco prefere os
retiros e os arraiais, as cantigas populares e as mulheres bonitas - em
particular Alice, uma costureira do Bairro dos Castelinhos, o que não agrada
ao pai, o alfaiate Caetano, sabendo-o crivado de dívidas... Os azares de
Vasco sucedem-se: no mesmo dia em que é reprovado no exame final, recebe uma
carta onde as tias lhe anunciam uma visita a Lisboa!
Observações:
Primeiro filme sonoro inteiramente produzido em Portugal, nos laboratórios
da Lisboa Filme e com o equipamento da Tobis, em 1931. Estreou no São Luíz,
em 7 de Novembro de 1933, e o sucesso foi fulgurante, assim como no Brasil.
Embora Cottinelli Telmo esteja creditado como realizador, "a alma do
empreendimento" parece ter sido Chianca de Garcia e vários testemunhos
apontam para a sua intervenção determinante.
Chianca seria, no entanto, creditado entre a equipa de produção.
Entre os vários colaboradores da equipa técnica. contavam-se algums nomes
maiores da cultura portuguesa: o pintor Carlos Botelho (creditado como
assistente de realização) e o poeta José Gomes Ferreira (assistente de
montagem). Almada Negreiros seria o autor de dois cartazes de promoção.
"(...) a maior novidade - e o maior trunfo do filme - veio da interpretação,
catapultando para a glória os vultos cimeiros do nosso teatro de revista.
Acima de todos, Beatriz Costa que foi, sem dúvida, a mais intensa presença
feminina do nosso cinema e o mais espantoso caso de fotogenia e talento
dele. Mas igualmente os fabulosos Vasco Santana e António Silva - os maiores
actores cómicos deste século (em cuja popularidade se alicerçou o sucesso do
cinema português nos anos 30 e 40) - ou ainda a não menos fabulosa Teresa
Gomes.
A eles e a um miraculoso equílibrio entre a parte musical e o entrecho
cómico se ficou a dever a popularidade única de "A Canção de Lisboa", hoje,
ainda, a mais conhecida e citada das nossas comédias. Provavelmente foi o
génio revisteiro de Chianca, aliado à construção visual de Cottinelli, que
permitiu esse "milagre". (...)
"A Canção de Lisboa" é, em minha opinião, uma das melhores comédias
europeias dos anos 30 e, sem dúvida, um dos melhores filmes portugueses de
sempre. Além de ser a matriz de onde arrancou toda a comédia nacional, não
havendo uma só, depois dela, que dela não dependa."
João Bénard da Costa, in Histórias do Cinema, col. Sínteses da Cultura
Portuguesa, Europália 91, ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1991.
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