Sinopse:
Uma equipa de televisão oficial vai fazer a reportagam de uma manifestação
estudantil. Não se vê quem filma, somente o que é focado.
Os manifestantes dirigem-se por vezes aos técnicos, insultando-os devido às
suas ideias retrógadas. Tenta-se uma identificação não-confortável entre
aquele grupo da TV e o espectador conformista.
Observações:
Proibido pela censura, por "perigoso e contrário aos interesses nacionais",
havia ordens para excluir qualquer notícia sobre este filme. Seleccionado
para o Festival de Cinema de Bergamo, António de Macedo foi confrontado
pelas autoridades por o ter feito sair do país clandestinamente.
""Nojo aos Cães", rodado em 1970 com os estudantes do Grupo Cénico da
Faculdade de Direito, de forma quase clandestina e proibido para exibição em
Portugal, é a celebração de um happening, uma espécie de ritual catártico
onde são questionados todos os temas que se relacionam com a condição de
jovem e de estudante, dois anos depois de Maio de 1968 e um ano depois dos
acontecimentos de Coimbra. Filme experimental, rodado directamente na
película de cópia, em precárias condições financeiras, é o modelo de filme
contestatário, que se pretende livre e libertador. António de Macedo
preferiu esta forma a qualquer modelo de indagação documental, a qualquer
forma de reportagem realista, mas o controlo dos materiais utilizados nem
sempre é eficaz."
Luís de Pina, in "História do Cinema Português, ed. Europa-América, col.
Saber, 1986.
Prémios e Festivais:
Festival de Valladolid 1970 (Espanha) - Prémio Valores Humanos
Festival de Benalmadena 1970 (Espanha) - Prémio da Federação Internacional
de Cineclubes (primeira apresentação ao público)
Festival de Bergamo 1970 (Itália)
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