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Sinopse:
"Uma acção talhada no pequeno quotidiano de uma pequena burguesia
intelectual-estudantil. A falta de dinheiro e os desenrascanços. E sobretudo
o cansaço, a raiva. E texto(s)."
(Jorge Leitão Ramos)
Observações
"Filmado ao sabor da amizade e do desespero, quase sem dinheiro (duzentos
contos aproximadamente), terminado um dia que o dinheiro faltou e montado
nos buracos de uma história que só se esboçava, vendido por quinze contos a
Filmes Lusomundo que o não chega a distribuir (a
Censura impõe cortes que o teriam desfigurado), tal é Quem Espera Por
Sapatos de Defunto Morre Descalço, nunca exibido comercialmente em salas de
cinema e que acabou por estrear, em 1979, na RTP 2, quando dirigida por
Fernando Lopes.
(...) Quem Espera Por Sapatos de Defunto Morre Descalço é, certamente, um
filme que não se fez (e poder-se-ia tê-lo feito?) e, como tal, o testemunho
de um falhanço. Mas, senhores, trata-se de um falhanço em que o acto de o
erguer, contra tudo, faz passar, cintilante, uma resistência moral e uma
inquietação estética exemplares."
Jorge Leitão Ramos, in Dicionário do Cinema Português 1962-1988, ed.
Caminho, Lisboa, 1989
"(...) O seu enredo é apenas o pretexto narrativo para reflectir os
movimentos interiores da própria linguagem fílmica que assim nos são
revelados."
Luís de Pina, in História do Cinema Português, Ed. Europa-América, Col.
Saber, 1986
"Sapatos de Defunto (...) iniciou o pessoalíssimo universo deste cineasta.
Uma aparente desenvoltura e uma aparente provocação ocultaram, à época, o
fundamental lirismo e o impuro prazer do estiticismo que sempre seriam
constantes dos filmes de César Monteiro. Em 30 minutos de cinema, uma
torrente de imagens afirma a possibilidade de conjugar códigos diversos,
unificados num idealismo transfigurado. Esse belíssimo filme marcou ainda a
estreia de cinematográfica de Luís Miguel Cintra (n.1959).
João Bénard da Costa, in Histórias do Cinema, Sínteses da Cultura
Portuguesa, Europália 91, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa
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