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Sinopse:
Portugal, 1976. Rui Tadeu, aliás Kilas, é amante de uma artista de
variedades, Pepsi-Rita, à custa de quem vive - em casa da Madrinha, uma
mulher nostálgica, que resgatou o afilhado da infância desvalida. Pela sua
esperteza, Kilas lidera um grupo de marginais, contrados por um enigmático
Major, para vigiarem um prédio, onde vão reunir-se personalidades
"suspeitas".
Quando tal acontece, e alertado o Major, uma bomba explode na casa que se
anuncia dum conhecido anti-fascista. Alarmado, Kilas procura desligar-se -
mas o seu destino está já marcado, por uma rivalidade passional.
Observações:
Produção luso-brasileira, "Kilas, o Mau da Fita" foi um dos maiores, e
raros, êxitos comerciais da história do cinema português. Estreado nos
cinemas Eden e Quarteto, em 27 de Fevereiro de 1981, ultrapassou os 100 000
espectadores.
De mencionar o regresso ao cinema de Milú, a única actriz com estatuto de
star no cinema português, depois de ter estado ausente durante onze anos.
"(...) Olhando o mundo dos pequenos marginais lisboetas sob a óptica do
humor, Fonseca e Costa faz depois, pouco a pouco, secar o riso até deixar um
traço amargo no écran. O submundo não é mero pretexto de folclore mas
retrato de uma realidade portuguesa que o excede. Da panóplia marialva até à
menoridade, muito do que por este filme passa é ironicamente remetido para a
vastidão de um corpo social urbano. Por inteiro.
É necessário referir que "Kilas" redescobre os actores e o linguajar da
cidade. É necessário anotar que os aborda sob o véu de uma distância
acolhedora de quem gosta/repele o que filma.
Excepcional trabalho de actores: Mário Viegas, Lia Gama, Luís Lello, Milú,
Lima Duarte, em desraque. Uma partitura musical rara: Sérgio Godinho. Uma
fotografia quase sempre excelente: António Escudeiro, Mário Barroso. Uma
atenção cenográfica exemplar: Jasmim."
Jorge Leitão Ramos, in Dicionário do Cinema Português, 1962-1988, ed.
Caminho, 1989.
Prémio:
Recebeu, em 1980, o Prémio Makhila de Honra, no Festival de Cinema de
Biarritz, França
Grande Prémio do Instituto Português de Cinema, em 1981
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